O antigo e o moderno em Santiago

Em 2010, a cidade de Santiago foi sacudida, durante 3 minutos, por um terremoto de 8,9° na escala Richter. De lá pra cá muita coisa mudou, edifícios resistentes a abalos foram construídos e novos parques e restaurantes foram abertos na cidade. Toda essa reforma culminou, em 2011, com a indicação de Santiago como um dos destinos mais procurados do ano segundo o jornal The New York Times, despertando grande curiosidade nos turistas.

By Tiny Girl with Big Bag

Antes da minha viagem, perguntei a um amigo chileno sobre os pontos turísticos mais importantes, e a lista foi tão extensa que decidi contratar o tour da GoChile para me organizar melhor, não perder nenhum detalhe e conhecer o suficiente para caminhar pela cidade nos dias seguintes sem pressa ou confusão.

 

Ainda um pouco sonolento pelas baladas e estressado pelo trânsito, cheguei ao ponto de encontro do tour, mas esse cansaço foi embora assim que me deparei com a animação do guia turístico Sérgio, que nos levou pela cidade em um ônibus super confortável. Ele nos cumprimentou em três idiomas, português, espanhol e inglês e continuou combinando-os com tanto talento que em um determinado momento nem me dei conta de que escutava em outra língua. O dia estava bastante fresco e enquanto o ônibus seguia pelo trânsito da cidade, Sérgio começou a mostrar os principais lugares e contar mais sobre a história de Santiago.

 

A primeira parada foi na praça mais antiga, a Plaza de Armas, cuja catedral de estilo colonial e rodeada de palmeiras, fizeram-me lembrar dos tempos da coroa espanhola. A fundação da cidade data de 1541, seguida da luta pela independência, pelo grande crescimento no começo do século XX e pelo terremoto de 2010.


Catedral Metropolitana de Santiago


Altar de prata da Catedral

Escultura da Virgem Maria que sofreu danos pelo terremoto de 2010

Durante os 30 minutos que tivemos livres, aproveitei para conhecer um pouco mais sobre o local, mas com certa inquietude, pois alguns lugares não me pareceram muito seguros. Comi um cachorro quente no café da manhã e enquanto tomava sol nos bancos da praça não parava de pensar na catástrofe a assolou o país. Era difícil se concentrar em outra coisa, já que devido ao choque, que deve ter sido muito grande, as pessoas ainda falam sobre isso. Em relação à estrutura, não vi nada mais grave que as casas sem teto e os pedestais que já não tinham estátuas.

A próxima parada deveria ter sido na colina Santa Lucia, que fica dentro da cidade, mas estava fechada por uma ordem governamental. Isso me incomodou um pouco porque queria visitar o “parque dos namorados”, mas mesmo perdendo a visita por causa dessa ordem, conseguimos ir ao destino seguinte que foi a Casa de la Moneda.

 

Sérgio ficou em silêncio por causa dos trompetes e da bateria, mas quando terminou a cerimônia que era apresentada, ele voltou a falar sobre Santiago. Hoje a Casa de la Moneda é a residência do governo, que já estava funcionando durante o império espanhol como o lugar onde se cunhavam as moedas. Eu me surpreendi em saber que Santiago ainda é um dos maiores centros financeiros da América Latina ao lado de
São Paulo e de Buenos Aires.


Entrada do parque Santa Lucia


Cerimônia em frente à Casa de la Moneda


Neste momento ainda não sabia que estava tirando uma foto do presidente do Chile.

Enquanto passeávamos pela cidade de ônibus, e víamos o parque mais importante de Santiago – Parque Forestal – o Rio Mapocho e as ruas acolhedoras de alguns dos bairros como Bellavista, Providencia e Lastarria, Sérgio falou sobre os danos causados pelo terremoto de 2010 que custou ao Chile 10% do PIB. Durante a reconstrução, novos e modernos edifícios foram criados, conferindo uma harmoniosa arquitetura entre o novo e o antigo.


À direita, escombros do teto depois do terremoto de 2010.

Além das reconstruções que ainda estão em andamento, Santiago tem outro ponto fraco. Nosso guia turístico nos disse que a cidade precisa fazer algo para controlar a poluição, pois como está rodeada pelos Andes, no leste, e pela cordilheira chilena, no oeste, não chega vento suficiente para dissipar essa contaminação. Para aqueles que querem tirar as melhores fotos de Santiago com os Andes de 6.000 metros de altura ao fundo, a melhor opção é subir uma das colinas depois de um dia chuva, pois a visibilidade é muito maior e vale a pena pela vista que realmente é impressionante! Uma das medidas que tem sido aplicada é a criação de áreas verdes, com o intuito de equilibrar a qualidade do ar.

A última parada foi em uma loja de artesanato onde pudemos ver as joias de Lapis Lazuli, a pedra mais famosa do Chile, e depois provar um drinque típico conhecido como Pisco Sour. Normalmente eu não gosto desses lugares comerciais, mas muitos turistas que não puderam ficar muito tempo em Santiago conseguiram comprar suas lembrancinhas lá.

 

Durante o tour, olhando para fora do ônibus, vi prédios neoclássicos ao lado de modernos arranha-céus e esse contraste é cada vez mais visível, um dos exemplos é a Catedral colonial e os modernos edifícios de vidro que cresceram modestamente lado a lado. A arquitetura do passado, a tecnologia do presente e os parques para um futuro mais verde dividem o mesmo espaço em Santiago. É verdade que ainda há muito por fazer, como diminuir a sujeira e a desorganização das ruas, mas o resultado é uma cidade bem animada e com muitas coisas para aproveitar.


Catedral Metropolitana ao lado de um moderno edifício.

O tour pela cidade de Santiago dura 3h e meia, e mostra os lugares mais importantes. Posso dizer com toda a certeza de que recebi exatamente o que esperava: anedotas, histórias, dados e dicas que foram muito úteis nos dias seguintes. O tour foi super legal e bem realizado. É perfeito para quem está em apuros e não pode ficar mais de um dia em Santiago ou para quem quer ver os pontos turísticos de uma maneira organizada e assim ter mais tempo livre para conhecer a cidade à sua maneira. Essa excursão não é suficiente para comprovar se o The New York Times tinha razão ou não em seu ranking de lugares mais visitados, mas pude utilizar ao máximo as informações que recebi e criar uma excelente primeira impressão da cidade.


O passeio foi organizado e patrocinado pela GoChile. Se você tem um dia inteiro em Santiago e quer saborear a famosa cultura do vinho chileno e visitar uma das casas de Pablo Neruda, também pode fazer o tour Vinhus, Isla Negra e Neruda por todo um dia. Você também pode reservar estes ou outros pacotes pelo site ou mandando um e-mail a tours@gochile.cl. Eu gostaria de agradecer em especial a Alvaro Rojas por toda a ajuda e planificação e como sempre dizer que tudo o que foi relatado aqui faz parte das minhas experiências.

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